FICHA TÉCNICA 1975

 

Carnavalesco     Hiran Araújo
Diretor de Carnaval     ..............................................................
Diretor de Harmonia     ...............................................................
Diretor de Evolução     .............................................................
Diretor de Bateria     Joaquim Gomes Filho (Mestre Cinco)
Puxador de Samba Enredo     Silvinho da Portela
Primeiro Casal de M.S. e P. B.     Bagdá e Irene
Segundo Casal de M.S. e P. B.     ................................................................
Resp. Comissão de Frente     ................................................................
Resp. Ala das Baianas     ................................................................
Resp. Ala das Crianças     ................................................................

 

SINOPSE 1975

Macunaíma, herói de nossa gente

Introdução:

          Macunaíma, herói de nossa gente é um enredo baseado na importante obra de Mário de Andrade – Macunaíma. O livro, publicado em 1928, foi um sucesso intelectual, repercutindo em todo país pela novidade que apresentava. Acumulando lendas, superstições, frases feitas – tudo sistematizado e intencionalmente entretecido – a obra forma um quadro de triângulos coloridos em que os pedaços, aparentemente juntados ao acaso, delineiam em conjunto a paisagem do Brasil e a figura do brasileiro comum.
          Romance, lirismo, epopéia, história, mitologia e folclore misturam-se sob as vestes de uma linguagem onde se fundem termos empregados nas diversas regiões de nosso país. Macunaíma, a figura central do tema, foi inspirada num personagem do lendário indígena. No lendário indígena Macunaíma tem o seguinte significado: divindade dos indígenas macuxís, acavais, arecunás, taulipangs e caraíbas que habitam o oeste do planalto da Serra Roraima e o Alto Rio Branco. Macunaíma é o ser que trabalha à noite, espírito grande e bom que criou a terra e as plantas. Baixou do céu e subiu no alto de uma árvore, onde cortou com seu machado de pedra pedaços da casca da árvore, atirando-os a um rio. Estes se transformaram em toda casta de animais existentes na terra. Depois criou o homem e adormeceu-o profundamente. Quando o homem acordou encontrou a mulher a seu lado. Explicando um mito análogo ao dilúvio universal o espírito do mal dominou a terra e Macunaíma enviou chuvas torrenciais. Da primitiva crença dessa divindade, aliás, identificada como o próprio Deus criador pelos tradutores da Bíblia para a língua caraíba, Macunaíma tornou-se o herói de um ciclo etiológico e zoológico. Segundo Câmara Cascudo a mutação explica-se pela convergência de tradições orais entre as tribos, interdependência cultural decorrente de guerras, viagens e permutas de produtos. Nos episódios em que Macunaíma é personagem central, este revela o seu inesgotável poder mágico, transformando inclusive seus inimigos em pedras. Assim, Macunaíma tornou-se um símbolo da astúcia, da maldade instintiva e natural, da alegria zombeteira, Theodor Koch Grünberg coligiu diversas aventuras de Macunaíma nesta fase popularesca que constituem a maior e melhor coleção de relatos dessa divindade ou herói. É nesse personagem que Mário de Andrade se inspirou para criar o seu Macunaíma e no qual a Portela humildemente tem a ousadia de compor o seu enredo. Épico, assombroso, colorido, caótico Macunaíma está presente em toda a Escola. Diluindo-se, transfigurando-se ora é o branco, ora é o negro, ora é o índio. A floresta cheia de mistérios e tentações. E as estrelas povoadas de luzes e encantamento.
          Pelo aspecto de figura de gesta Macunaíma se aproxima demais da epopéia medieval. Têm de comum com aqueles heróis a humildade e o maravilhoso. Está fora do espaço e do tempo. Não tem época. Tanto pode estar agora no Amazonas como em São Paulo ou Goiás. Subverte itinerário, desgeograficando costumes e lendas numa mistura tão ao gosto de nossas tradições.

Sinopse:

Portela apresenta
Do folclore, tradições
Milagres do sertão, a mata virgem
Assombrada com mil tentações

          Como observa Haroldo de Campos, “o grande sintagma que arcabouça todo o livro, dando-lhe coerência e unidade, articula-se entre o roubo e a recuperação do talismã do herói, a Muiraquitã”.
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. É preto, retinto, filho da tribo Tapanhuma, que significa negro (esta tribo, referida em Von den Steinem, habita as confluências dos rios Tapajós e Arinos).
          Tem dois irmãos Maanape, negro, feiticeiro e Jiguê, índio, homem feito. (confluência racial)
          Um dia, em suas andanças, o herói encontra uma cunhã belíssima dormindo. Pelo peito direito que é seco, logo vê que ela pertence à tribo das mulheres sozinhas da lagoa espelho da lua, próxima ao Rio Nhamundá. Era Ci – Mãe do mato, rainha das amazonas. Ele a possui. Surge, então, um bando de araras, jandaias, tuins, periquitos saudando Macunaíma que, pelo casamento com aquela moça, se tornará Imperador do mato virgem.
          Eles então viajam e começa uma vida feliz para o herói que vive bebendo pajuari, cantando ao som da viola de cocho. Ci tecera com os próprios cabelos a rede em que dormiam. Na lenda taulipang, coligida por KG, as amazonas podem ter relações eventuais com homens que visitem suas malocas, mas não lhes é lícito casar-se (estabelecer relações duradouras), sendo vedado aos companheiros de ocasião permanecer no convívio da tribo; os filhos varões que resultem dessas uniões são sacrificados, só sendo poupadas às filhas.
          Macunaíma, assim, viola implicitamente um interdito tribal codificado (tabu) e, conseqüentemente, estará sujeito a punições.
          Ao fim de seis mesas nasce um filho varão, o filho encarnado (filho do relâmpago segundo a lenda Caxinauá). Houve festas. Vieram mulatas da Bahia, Rio Grande do Norte. Ci se torna mestra do cordão de Pastoril. Mas veio a punição. A cobra preta inutilizou o único peito vivo de Ci e o menino encarnado morre envenenado.

Ci, a rainha mãe do mato
Macunaíma fascinou.
Ao luar se fez poema.
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou.

          Macunaíma herói múltiplo, quase se poderia escrever como seu autor: eu sou trezentos. Encarna uma enorme variedade de personagens, ora boas, ora ingênuas, quase sempre ingênuas. Ele é valente. É covarde. É feiticeiro. Catimbeiro. Astucioso Irreverente.
Gozador.

Macunaíma, índio branco catimbeiro
Negro sonso feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó.

          Com a morte do filho encarnado, fruto do matrimônio proibido, Ci também morre e se transforma em estrela, a beta do centauro.
          Ao morrer Ci retira do seu colar a muiraquitã e a oferece a Macunaíma como lembrança de seu inesquecível amor.
          Segundo a lenda, as amazonas costumavam presentear os homens que as visitavam com uma pedra verde em forma de réptil, a muiraquitã.
          A muiraquitã é um talismã de felicidade. As pessoas que a possuem ficam cheias de sorte (marupiara).
          No outro dia, o herói saudoso fura o lábio inferior e transforma a muiraquitã em tembetá, enfiando-a no orifício labial. Chama os irmãos, despede-se das icamiabas e parte pelos matos onde imperava, sempre acompanhado por um séqüito de araras e jandaias. O herói ainda sente saudades da amada, mas logo se mete em aventuras novas. Ouve um lamento de uma moça. Foi ver, era uma cascata. Ouve sua história. Ela se chamava Naipi e fora uma índia lindíssima. Mas a boiúna capei, um monstro que escravizava sua tribo por inveja de não a ter possuído, transformou a moça numa pedra e o seu namorado, um jovem guerreiro da tribo, em plantas roxas. As lágrimas de Naipi formam uma cascata (ela chora de desgosto) e o monstro a vive vigiando. Macunaíma se revolta e decide enfrentar a boiúna (cobra) capei. Derrota-a, decepando-lhe a cabeça que sobe pro céu e se transforma em lua (uma história dentro da história).
          Mas na luta com a cobra capei Macunaíma perde a muiraquitã. Ele, então, passa a procurá-la, desesperadamente. A muiraquitã é uma pedra-toque do paraíso perdido a reencontrar.
          Pede ajuda. Ninguém sabe informar seu paradeiro. Nenhum ser vivo, nenhum animal ou pássaro dos matos. Ninguém podia ajudar ao imperador do mato virgem a achar seu amuleto.
          Um dia, quando descansava da busca intensa que empreendia, o Negrinho do Pastoreio (segundo B. Rodrigues, o Saci do Rio Grande do Sul. É o nume que mostra as cousas perdidas, é mulo de São Longuinho) se apieda dele e manda o pássaro Uirapuru (descrito como possuidor de virtudes mágicas) dizer com o seu canto onde se encontra a pedra.
          O uirapuru revela a Macunaíma que a sua Muiraquitã fora perdida na beira de um rio, quando ele brigava com capei. Agora a pedra estava em São Paulo, com Venceslau Pietro Pietra, regatão peruano, que a comprara de um mariscador que, por sua vez, a encontrara dentro de uma tartaruga. Por isso Macunaíma era infeliz e não era mais marupiara. O pássaro se foi Macunaíma resolve partir pra São Paulo e os irmãos o acompanham.

Ci em forma de estrela
A Macunaíma dá
Um talismã que ele perde
E sai a vagar
(Ora encanta)
Canta o uirapuru e encanta
Liberta as mágoas de seu triste coração
Negrinho do Pastoreio foi a sua salvação.

          No outro dia vai até a Ilha de Marapatá, a fim de ali deixar a consciência, e partem pelo Araguaia.
          Em sua viagem, resolvem tomar um banho (no Rio Araguaia não podia porque tinha muitas piranhas), então avistaram uma cova cheia d’água na superfície de uma lapa. Era a marca do pé do Apóstolo São Tomé, quando andou pela América pregando o Evangelho, o Sumé dos índios. A água era encantada e o herói ao banhar-se ficou louro, branco, de olhos azuis. Jiguê vai em seguida e, como o líquido está turvo ele fica vermelho e tanto se esfrega que atira a maior parte da água para fora da cova. Por esse motivo Maanape só consegue clarear a palma da mão e dos pés. Todos os animais, inclusive as quarenta espécies de macacos, contemplam os três irmãos. Chegam, assim transformados (um branco, um negro e outro índio – as três raças que compõem a raça brasileira) a São Paulo.
          A cidade de pedra não agradou a Macunaíma, acostumado ao silêncio entrecortado de pios e cantos mágicos dos seus matos. Mas a reconquista da muiraquitã era muito importante. Depois de um fracasso inicial, tendo recorrido inclusive à macumba, Macunaíma recorre a uma série de truques e, por astúcia, consegue derrotar o gigante Piaimã, comedor de gente, que se havia disfarçado em Venceslau Pietro Pietra, o que estava de posse de seu amuleto. Macunaíma derrota o gigante Piaimã ridicularizando-o e assim recuperava a sua querida muiraquitã.

E derrotando o gigante
Era uma vez Piaimã
Macunaíma volta com a muíraquitã.

          Mário de Andrade encontrou no lendário de Koch Grünberg os atributos básicos para a configuração do antagonista principal de Macunaíma. “A figura de Piaimã mostra diferentes feições. Em muitas lendas ele é o gigante antropófago que causa toda sorte de desgraças; finalmente acaba caindo na própria armadilha e sendo morto por um homem valente. Ele é justamente o primeiro médico feiticeiro, o “grande mágico” como demonstra o próprio nome, que se compõe de PIAI – médico feiticeiro e de sufixo aumentativo IMÃ – grande. Consegue, pelas lições dadas, formar os primeiros médicos feiticeiros entre os homens dando-lhes as plantas de poderes mágicos, especialmente o fumo, que desempenha papel importante na cura de moléstias. Piaimã é considerado, finalmente, o pai primário dos ingarikó, que vivem na mata virgem, ao nordeste do Roraima. Não obstante o parentesco próximo de sua língua com as do taulipang e arecuná, foram em tempos idos seus inimigos figadais, e ainda hoje são temidos pelos seus vizinhos que os têm como “kanaime” assassinos ocultos e mágicos perversos. Na mitologia não é raro ter a lembrança de uma tribo inimiga ter contribuição para a formação de um espírito maligno. Assim como Piaimã no fabulário arecuná e taulipang já é uma figura híbrida, com traços de estrangeiro e adversário tribal, Mário sobrepôs-lhe um nome e atributos extraídos da realidade de seu tempo. Piaimã é, desde logo, rebatizado com um sobrenome de conformação italiana Pietro Pietra, embora o prenome nos lembre reis da Boêmia (aliás um prenome já aclimatado à onomástica brasileira).
          Ao derrotar o gigante, Macunaíma volta pra sua querência. De novo no mato-virgem onde sempre imperou. Quando a muiraquitã é recuperada pelo herói, tudo se transforma como por milagre: “não possui nem mais um tostão, porém lhe balançando no beiço furado pendia a muiraquitã. E por causa dela, tudo ficara mais fácil. De novo marupiara”.

Marupiara na luta e no amor

          Passam o tempo e as aventuras, Macunaíma fica só. Nem mais o séqüito de araras e jandaias o acompanha. Seu único seguidor agora é um papagaio falador com que Macunaíma conversa e relembra suas façanhas.
          E sua ainda a muiraquitã.
          Um dia lhe dá vontade de brincar, cousa que não fazia há muito tempo.
          Sai mato adentro e encontra uma lagoa de ouro e prata, dentro dela uma cunhã belíssima. Macunaíma não sabia que a mulher era uma visão. A cunhã era Uiara.
          Mergulha ao seu encontro. Quando volta à superfície vê que tudo não passou de ilusão e que na realidade ele estava era todo mutilado pelas piranhas. Fica como um louco quando vê que também faltava um pedaço do beiço e a sua muiraquitã.
          Desolado, verifica que a muiraquitã e sua perna direita foram engolidos pelo monstro Ururau (ururau é um monstro aquático que aparece no sítio da lapa da Cidade de Campos, Estado do Rio, tomando a forma de jacaré gigantesco e disforme) e contra o qual não tem poderes.

Quando sua pedra para sempre o monstro levou

          O herói saiu pelo campo numa perna só e se lastimava da perda da muiraquitã. Chorava e as lágrimas caindo sobre as florinhas brancas iam tingido-as de azul. Nasceram os miosótis.
          Macunaíma não achou mais graça neste mundo. Mas ficou indeciso entre ir morar no céu ou na Ilha de Marajó (único lugar do Brasil em que ficaram traços de uma civilização superior). Chegou a pensar na Cidade de Pedra, de Delmiro Gouveia. Mas desistiu, pois não tinha coragem para uma organização. Ia para o céu, ser o brilho porém permanente de mais uma constelação. Ser astro é o destino fatal dos seres, quando estes ficam sem o que fazer nesta terra.
          Pega então um cipó e vai subindo por ele cantando:

Vou-me embora, vou-me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação

Mario de Andrade, pai da antropofagia

          Uma noite Oswald levou-me a casa de Mário de Andrade, encaramujado na sua casinha à Rua Lopes Chaves. Tive, ainda, outras vezes, oportunidade de visitar o poeta, sem entretanto descer a níveis de maior intimidade. Mário era comedidamente amável. Guardava uma austeridade sob medida. A sombra do professor do conservatório de música estava sempre a seu lado. A sua erudição pesava dogmaticamente nas conversas. Deliciava-se com seu repositório de folclore. Tudo vazado cuidadosamente em fichas. Era disciplinado nos seus esquemas de trabalho. Homem de arquivo tinha uma atividade epistolar imensa. Multiplicava-se em cartas. Escrevia para todo o Brasil.
          Mário gostava de falar, em termos abstratos, das suas atribuições. Mas tinha a vida estruturada em ordem. Convivia num círculo social restrito. Era solteirão, morigerado e sem estroinice. Vivia pacatamente com as tias. Houve época em que ele acompanhava a procissão de vela na mão.
          Parecia um anjo deste tamanho, vestindo a opa da Irmandade – contava um cronista de São Paulo.
          Não conheci Mário como eu teria querido, com o seu enorme potencial poético. O que Oswald tinha de natural com reflexos desordenados de sua personalidade, Mário revelava precisamente o contrário. Era medido, controlado, fechado.
          Entretanto, os que privaram com ele, num trato mais íntimo, diziam que, em rodas de amigos, era folgazão e jovial. Margarida Nogueira (nossa Cônsul Geral em Milão – 1956-59) assegurou-me que, nos bailes fechados da SAM (Sociedade de Arte Moderna), Mário puxava o cordão, como um sambista de morro. Adorava a graçola picante.
          Em um ambiente jocoso, esvaziava-se em risadas.
          “A Chácara de Pio Lourenço, perto de Araraquara, entrou para a literatura brasileira em 1926. Nesse ano, Mário de Andrade escreveu Macunaíma, em uma semana de rede e muito cigarro: 16 a 23 de dezembro.
          É preciso, entretanto, que se conheça o método de trabalho de Mário de Andrade para compreender como foi possível em tão pouco tempo redigir um livro no qual se acumula um despropósito de lendas, superstições, frases feitas, provérbios e modismos de linguagem, tudo esquematizado e intencionalmente entretecido, feito um quadro de triângulos coloridos, em que os pedaços, aparentemente juntados ao acaso, delineiam em conjunto a paisagem do Brasil e a figura do brasileiro comum.
          Os amigos que o viram trabalhar referem-se-lhe à técnica. Primeiro era a documentação trabalhosa e pachorrenta, para depois escrever. E nenhum trabalho seu deixou de ser documentado escrupulosamente. Desde Macunaíma até muitas poesias.
          Vinha o momento de criação, o estado de poesia, coisa comparável a um transe mediúnico em que aqueles fragmentos de documentação se integravam e Mário de Andrade redigia. Saía tudo descuidado, como se fosse um mapa do subconsciente. Apenas com o artesanato e a estética que já se haviam incorporado nele, como quem toca piano e conversa ao mesmo tempo, uma espécie de memória dos dedos, memória medular.
          Só depois começava o trabalho de arte, o polimento, o artífice em ação. Vale a pena reler o que ele próprio disse, para exemplo de Paulicéia Desvairada começava o corte. Cortava sem piedade, coisa dura de fazer sacrifício que dói a muitos e de que poucos têm coragem.
          Vaidade que Mário não teve. Contou-me Luiz Saia, seu amigo de sempre, que Mário lhe dissera haver escrito sete cadernos de jato e que os reduzira a dois, logo na segunda versão. E cortou sem que deixasse esfriar, levou eliminando e refazendo o que havia criado no primeiro impulso. Começou em 23 de dezembro de 1926 para terminar em 13 de janeiro de 1927.”

Do livro Roteiro de Macunaíma, de Cavalcante Proença.

Roteiro do Desfile:

Portela liberta mágoa e alegra os corações

Abertura:
a) Cobra com um Nó “Mata a cobra e dá um nó”: Ala guarnecendo
b) Carro Abre-Alas: Abertura da floresta. No fundo do mato virgem nasceu “Macunaíma herói de nossa gente”. Asas de pássaros desenvolvendo preciosos movimentos Mulata escultural fantasiada de Águia da Portela.

  • Comissão de Frente: 15 mulatas fantasiadas de Muiraquitã

  • Macunaíma, Jiquê e Maranape: Destaques

  • Danças religiosas da tribo (muruá, poracê, torê, bacororô, cucu icogue): Alas diversas e destaques

  • Tribo Tapanhuma: Alas

  • Iriqui: Destaque

  • Tribo Caxinauá: Alas

  • O Curupira: Adereço

  • O casamento de Macunaíma: Alas e destaques

  • Macunaima imperador do mato virgem: Destaque

  • Séqüito de araras e jandaias: Ala

  • O filho encarnado: Ala

  • Naipe e Titçate: Destaque

  • Tribo escrava da boiúna capei: Alas

  • O uirapuru: Destaques

1° Carro alegórico: a muiraquitã

  • Bandeirantes: Alas e Destaques

  • Pastoril: Alas e Destaques

  • A macumba: Alas e Destaques

  • Rio de Janeiro: Alas e Destaques

  • Uei, a Sol: Destaque

2° Carro alegórico: O gigante Piaimã

  • Ala Mário de Andrade (modernismo): Ala

  • Mianique-Teibe: Ala

  • Vagalumes: Destaque

  • Paui-Pódole: Alas e Destaques

3° Carro alegórico: A constelação

  • Estrelas: Alas diversas

  • Firmamento: Alas e Destaques

  • Adereços inúmeros e alegorias conduzidas.

 

SAMBA ENREDO                                                1975
Enredo     Macunaíma
Compositores     David Corrêa e Norival Reis
Portela apresenta
Do folclore tradições
Milagres do sertão à mata virgem
Assombrada com mil tentações
Cy, a rainha mãe do mato, oi
Macunaíma fascinou
Ao luar se fez poema
Mas ao filho encarnado
Toda maldição legou

Macunaíma índio branco catimbeiro
Negro sonso feiticeiro
Mata a cobra e dá um nó

Cy, em forma de estrela
À Macunaíma dá
Um talismã que ele perde e sai a vagar
Canta o uirapuru e encanta
Liberta a mágoa do seu triste coração
Negrinho do pastoreio foi a sua salvação
E derrotando o gigante
Era uma vez Piaiman
Macunaíma volta com o muiraquitã
Marupiara na luta e no amor
Quando para a pedra para sempre o monstro levou
O nosso herói assim cantou

Vou me embora, vou me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação