FICHA TÉCNICA 1994

 

Carnavalesco     Roberto Szaniecki
Diretor de Carnaval     Paulo Roberto Mangano Barreiros
Diretor de Harmonia     Jorge da Silva Casemiro
Diretor de Evolução     Jorge da Silva Casemiro
Diretor de Bateria     Lourival de Souza Serra (Mestre Louro)
Puxador de Samba Enredo     Quinzinho
Primeiro Casal de M.S. e P. B.     Dionísio da Costa Mendes e Tânia A. Accioly (Taninha)
Segundo Casal de M.S. e P. B.     Sidclei Marcolino dos Santos (Sidclei) e Andréia Cristina Neves
Resp. Comissão de Frente     Suzana Braga
Resp. Ala das Baianas     Lecy Souza de Oliveira (Tia Ciça)
Resp. Ala das Crianças     Georgete de Souza Serra

 

SINOPSE 1994

Rio de Lá pra Cá

Introdução:

          O Salgueiro este ano exalta no seu enredo o povo da Cidade do Rio de Janeiro que ajudou a Escola a conquistar o título de Campeã do Carnaval de 1993, com muita alegria, garra e empolgação.
          A princípio foi difícil descobrir uma maneira de homenagear a Cidade do Rio de Janeiro, já tão cantada em verso e prosa, de uma forma não tradicional, obedecendo a tarefa do Salgueiro de ser "apenas diferente".
          Que povo é esse, que vive de contrastes e ainda tem força e bom humor para cantar o “Explode Coração” nas esquinas, bares, biroscas e estádios espalhados pela cidade e por todo país?
          O enredo RIO DE LÁ PRA CÁ, do carnavalesco Roberto Szaniecki, ilustra este dilema contanto a história da Cidade do Rio de Janeiro através do prisma debochado e bem humorado que o carioca possui. O enredo faz uma análise comportamento; do povo do Rio, desde a fundação da cidade até hoje, uma profunda pesquisa que tornou-se objeto de tese acadêmica, onde são respondidos os porquês da simpatia e do jeito do homem brasileiro, jeito esse oriundo do Rio de Janeiro, caldeirão de raças e estilos.
          A diretoria do Salgueiro dedica o enredo e o desfile deste ano ao eterno Presidente, Miro Garcia – Presidente do Conselho e ao seu filho, Maninho Garcia – Presidente Executivo – por todo o que representam para a Escola.

Paulo César Mangano

Sinopse:

Este Rio que eu amo

          Para amor o Rio basta conhecê-lo, não existe frase mais verdadeira!
          Como carnavalesco esta fonte de riquezas culturais, artísticas e naturais encheu-me com um “Rio” de estórias da história desta cidade.
          A “Cidade Maravilhosa” tem, como já foi dito antes, alguns dos mais belos recantos do mundo. Então porque não continuar a dizer que a cidade seja ainda um cartão postal do Brasil?
          Quando se vai ao Pão-de-açúcar ou ao Corcovado e se vê a cidade a seus pés é que se tem idéia das belezas que a cidade tem. Durante o dia é radiante e durante a noite é brilho só. A floresta da Tijuca é a única floresta urbana do mundo, e motivo de orgulho para todos que aqui vivem.
          Aquele jeitinho que nós tentamos resgatar durante a história, põe a cidade e seu povo entre um dos mais hospitaleiros e calorosos do mundo sempre dispostos a ajudar a levando a vida com bom humor. O carioca sempre conseguiu vencer as dificuldades, sejam elas de caráter geográfico, climático, governamental ou mesmo social.
          Esta é a cidade que já viveu como: a França, Portugal, Inglaterra, França novamente e até como os E.U.A, porém existe algo que não há em algum outro lugar do mundo, aquele jeitinho carinhoso e malandro, que veste vermelho e branco, que torce pela sua escola e sobretudo dedica seu samba a esta cidade e o seu povo – é o Salgueiro que sacode a galera.
          “Nem melhor nem pior, apenas uma escola diferente”...
          E por ser diferente, é que foi escolhido um jeito diferente de se falar sobre esse tema tão conhecido que é o Rio de Janeiro.
          Este enredo não é um monólogo sobre o Rio, mas sim, um diálogo em que o protagonista fala de si, “O Carioca Conta a sua História” e o Salgueiro responde com uma mensagem de esperança, mesmo que tenha que se dar um jeitinho, daqueles bem cariocas.
          A nossa mensagem reflete também a fé que temos em nossas crianças sabendo que estão nessas pequeninas mãos, o futuro, o progresso e a continuidade do amor. Esse amor sempre removerá montanhas de dificuldades e assim feito, transformará a cidade do Rio de Janeiro, esta cidade que será sempre a mais maravilhosa do mundo!

P.S. – Sem esquecer daquele jeitinho

Roberto Szaniecki
Carnavalesco

Ordem do Desfile

  • Comissão de Frente: Francoios
    Definição: Mistura dos franceses com os Índios Tamoios

1° Setor:

  • Carro Abre-Alas: Heráldica Brasileira
    1° Destaque: Cruz de Malta Real
    Composição A: - (06) – Corte Portuguesa
    Composição B: - (08) – Flores do Local
    Definição: Símbolo da cidade. A miscigenação dos brancos e Índios que deram origem à cidade com toda as bandeiras, desde a França Antártida

  • 1° Ala: Guerreiros Maracajás – Índios que uniram-se aos portugueses contra a invasão dos franceses

  • 2° Ala: Índios Maracajás – Índios naturais do Rio de Janeiro

  • 3° Ala: Portugueses – Portugueses que, juntamente com os maracajás, expulsaram os franceses.

  • 4° Ala: Corte dos Bantos – Negros trazidos do congo para o Rio de Janeiro.

  • 5° Ala: Da Escola – Negros já adaptados na função de escravos no cultivo da cana-de-açúcar.

  • Carro: Riqueza da cana-de-açúcar
    1° Destaque: Bomboniére
    Destaque: Açúcar Candy
    Composição A: Docinhos
    Composição B: (O5) – Canavieiras
    Definição: A nova colônia mandou ao açúcar para as mesas portuguesas através de quitutes, a partir do transporte da cana para Portugal.

  • 6° Ala: Invasores Franceses – 2° Invasão francesa rechaçada pelo povo carioca

  • 7° Ala: Ouro do Vice Reino – O Rio de Janeiro do Vice-Reino, enriquece através do transporte do ouro de Minas para Portugal.

  • 8° Ala: Festa do Imperador do Espírito-Santo – Festa monótona, em forma de cortejo para angariar fundos para a Igreja.

  • 9° Ala: Congado – Negros da mesma irmandade, quase todos do Congo, extrovertidos e alegres, iniciam determinados festejo chamado CONGADA.

  • 1° Passistas – Casal barroco – Casal do período barroco

2° SETOR

  • Carro: Sagração barroca
    1° Destaque – Sagração Barroca
    Destaque – Rainha do Congo
    Bispo (1)
    Bispo (2)
    Composição A – Sagração (6)
    Composição B – Festa do divino estandarte do Congo folia de reis
    Definição: Influência da miscigenação da arte, principalmente no estilo barroco, mostrando a festa do divino, congado com Rei Congo, rainha do Congo, estandarte e folia de Reis.

  • 10° Ala: Corte brasileira no Jardim Botânico – D. João IV instala-se no Jardim Botânico

  • 11° Ala: Debret – Missão francesa – Vinda da missão artística francesa que traz consigo nomes como Debret

  • 12° Ala: Abertura dos portos – D. João IV, abre os portos às nações amigas

  • 13° Ala: Último bailes do império – Baile realizado na ilha fiscal, para os chilenos, a menos de uma semana da implantação da república.

  • 2° Passistas – As mulheres se vestem com o símbolo da época, os homens representam os fiscais da época.

3° Setor

  • Carro: Jeitinho da Coroa Real
    Destaque – D. Pedro II
    Princesa Isabel
    Pó de arroz
    Mico leão
    Pássaro
    Orquídea
    Margarida
    Composição A – Vitória Régia (3)
    Composição B – Formandos D. Pedro II
    Definição: Toda a influência que transformou o cotidiano do rio de Janeiro com a vinda da Família Real. Ex: Telefonia, Biblioteca Nacional, Jardim Botânico, Jogo do Bicho, Bonde, Trem, Debret com a missão francesa, abertura dos portos.

  • 14° Ala: Instituto Oswaldo Cruz – No início do século, o Presidente Rodrigues Alves convida Oswaldo Cruz para pesquisa de soros e vacinas como a Febre Amarela.

  • 15° Ala: Bela época – Estilo francês e requintado influencia a moda transformando a cidade em exemplo de modernidade cosmopolita.

  • 16° Ala: Arlequinados – O carnaval entra em cena pelas ruas da cidade

  • 1° Casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira - Pierrot e Colombina – A corte do pierrot para a colombina (jogo da conquista), situados na trilogia muito em voga na época.

  • 17° Ala: BATERIA – A preferência pelo romantismo da trilogia: Pierrot, Arlequim e Colombina

  • 18° Ala: Tributo Art-Noveau – O estilo requintado, Art-Noveau, tem como símbolo destacado o Pavão.

Setor

  • CARRO: SOCIEDADE E CORSO
    Destaque Principal - Tributo à Art-Noveau
    Destaque – Colombina
    Destaque – Pierrot
    Composição A – Diabinhos (04)
    Composição B – Pierrot
    Pierrot
    Colombina
    Arlequim
    Arlequim
    Bailarina
    Bailarina
    Definição: O retrato do carnaval no início do século com as sociedades e os corsos trazendo, com o jeitinho carioca, o “Mardi Grass” de Nova Orleans.

  • 19° Ala: Luar dos seresteiros – A elite boêmia, muito ligada à música reunia-se em “serestas” pela madrugada da cidade.

  • 20° Ala: Café Rio – A elite boêmia troca as ruas pelos cafés para beber e conversar, não dispensando a cerveja e a caipirinha.

  • 21° Ala: Almofadinhas e coquetes – Moda boêmia que trocou as ruas pelos cafés da cidade.

  • 22° Ala: Mundanas e guardas da Lapa – A prostituição e a homossexualidade masculina reprimida pelos guardas da Lapa

  • 3º Passistas – Almofadinhas e coquetes – Representam os anos 20, os famosos almofadinhas e as deslumbrantes coquetes.

Setor

  • Carro: Art Decô – Anos 20
    1° Destaque – Folia Art Decô
    2° Destaque esquerda – Romance
    2° Destaque direita – Romance carioca I
    3° Destaque esquerda – Boêmia carioca
    4° Destaque direita – Boêmia carioca II
    Composição: Mundanas (08)
    Definição: A moda dos anos 20, as tendências comportamentais da sociedade da Época.

  • 23º Ala: Cinema Atlântida – Marca o início da intervenção do estado na atividade cinematográfica com humor.

  • 24º Ala: A nacional está no ar – Em 1935, foram iniciadas as gravações de “Alô, Alô, Carnaval”. Em 1936, inaugura-se no Rio de Janeiro a Rádio Nacional.

  • 25º Ala: Teatro de revista – O teatro, a ópera e o cabaré, influenciados pela cultura européia, adaptam-se as condições locais de produção e consumo, criando o teatro rebolado.

  • 26º Ala: Ala das baianas [Roleta] – Uma homenagem aos grandes cassinos e a exuberância dos grandes salas de jogos e as sempre convidativas mesas de roleta.

Setor

  • Carro: Cassino da Urca
    1º Destaque
    2º Destaque direita
    2º Destaque esquerda
    3º Destaque direita
    3º Destaque esquerda
    4º Destaque direita
    4º Destaque esquerda
    5º Destaque esquerda – Carmem Miranda
    5º Destaque direita – Filho do Grande Otelo
    Composição: A cor do ouro (06)
    Definição: Representa o jogo, os grandes musicais, as previstas, a exportação da cultura brasileira nas músicas e nos costumes. Ex. Carmem Miranda e Grande Otelo.

  • 27º Ala: Praias cariocas – As praias do Rio, internacionalmente conhecidas, são um verdadeiro deleite para o carioca e para o turista.

  • 28º Ala: Futebol – Na paixão pelos esportes foi, sem dúvida, o futebol que mais cresceu no gosto dos habitantes.

  • 29º Ala: Ciclistas – Modismos começam a ser introduzidos e o passeio de bicicleta noturno já virou costume por toda a cidade.

  • 30º Ala: Noites cariocas – O Rio é um verdadeiro frenesi de luzes e convites aos prazeres noturnos, surgem bares, boates, gafieira, dancings, teatros, etc.

  • 4º Passistas – Passista da noite – Representam os grandes shows de samba na noite carioca

Setor

  • Carro: Rio noite e dia
    Destaque – Noite e dia
    Composição A – Grupo de pagode (05)
    Composição B – Motel, noite e samba (04)
    Composição C – Praia (04)
    Composição D – Futebol (05)
    Composição E – Ciclistas (+4)
    Definição: O lazer e os modismos dos cariocas, Ex. Praia, futebol, feijoada, a rica noite do Rio e os modismos como: os “Night Bickers”.

  • 31º Ala: Festa de Yemanjá – Festa de Ano Novo, sofrendo evolução, comemora-se na passagem de ano a festa da rainha do mar.

  • 32º Ala: Carnaval de rua – Algumas tradições reformam a suas origens nos grupos de “Clóvis” e nas máscaras.

  • 33º Ala: Festa junina – Com caráter meio religioso, as danças juninas vem do tempo da escravidão, com imitação dos grandes bailes dos palacetes.

  • 34º Ala: Cosme e Damião – Originados das festas afro-brasileiras para as crianças.

  • 2º Casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira - Oxalá e festa junina – Dentro das tradições Afro-Brasileira, o primeiro dia do ano e consagrado Oxalá e a Yemanjá, curiosamente fora da real data de festejo.

Setor

  • Carro: Rio em festa
    1º Destaque
    2º Destaque esquerda
    2º Destaque direita – Fogos de artifício
    3º Destaque esquerda
    3º Destaque direita
    1º Destaque (baixo) – Visita à Yemanjá
    2º Destaque (baixo) – Mãe de santo
    Destaque Carnaval
    4º Destaque direita
    4º Destaque esquerda
    Composição: Carnaval de rua (04)
    Composição: Festa Junina (06 casais)
    Definição: Costumes que o povo conseguiu transformar em festas tradicionais, tais como Festa Junina, Cosme e Damião, carnaval e festa de Yemanjá com os seus fogos de artifícios.

  • 35º Ala: Rio ecologia – O Rio os mais belos recantos naturais e a maior floresta urbana do mundo.

  • 36º Ala: Rio cartão postal – Suas praias e sua geografia, formam o mais belo cartão postal; durante o dia radiante e a noite um brilho só.

  • 37º Ala: O Salgueiro amo o Rio – O povo carioca, um dos mais hospitaleiros e calorosos do mundo, com aquele jeitinho carinhoso e malandro que veste vermelho e branco, que torce pela escola e dedica seu samba a esta cidade e a seu povo.

9º Setor

  • Carro: Futuro
    Carro com 41 crianças
    Cavalinhos – 03
    Bola 01
    Skate – 02
    Pião – 01
    Disco Grande – 03
    Ioiô – 01
    Velocípede – 02
    Lápis direito – 08
    Lápis esquerdo – 08
    Chão do carro – 10
    Definição: A esperança que temos em nossas crianças e na criança que temos dentro de cada um de nós.

  • 38º Ala: O futuro em nossas mãos – As crianças do Salgueiro conservam a infância por toda a vida e se dedicam ao estudo e novas tecnologias.

 

SAMBA ENREDO                                                1994
Enredo     Rio de lá pra cá
Compositores     Celso Trindade, Demá Chagas, Bala, Arizão, Guaracy e Quinzinho
Meu Rio que é um rio de alegria
Transborda de felicidade (e vem mostrar)
Vem mostrar as tradições
O jeitinho dessa gente e da coroa real
Sua beleza, seus festejos e encantos
Germinou nos quatro cantos
Sementes de amor
De lá pra cá o Rio se glorificou

Virou mar de poesia
Bate forte coração
Sou carioca, salgueirense sou povão

Rio, cidade maravilhosa
Já cantado em verso e prosa
Cartão postal do meu Brasil
Rio, da mulata e do pagode
Futebol e samba forte
Como explode coração (tá na boca do povão)
Num abraço de envolver
Rio, és razão do meu viver

Balança, ô, balança
Chegou a hora do Salgueiro sacudir
Deixar esta cidade louca
Com água na boca na Sapucaí